Centro Catecumenal da Igreja do Porto
março 2004
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março 15, 2004


Catecumenado


Depois do Pré-catecumenato, inicia-se a caminhada catecumenal, cuja duração depende também de inúmeros factores, afinal falamos de itinerários e de ritmos extremamente pessoais.

Com o objectivo de responder às dificuldades de disponibilidade que surgem no quotidiano dos catecúmenos, preparamos, semanalmente, duas estações da mesma Sessão Catecumenal: ao Sábado [das 16 às 18 horas] e às quintas-feiras [das 21.30 às 23.30 horas].

Desde Outubro de 1998 temos vindo a fazer um grande investimento na informatização e na inovação da imagem do Centro; no enriquecimento das Sessões Catecumenais e na correspondência regular com as 118 paróquias servidas pelo Centro e com dezenas de instituições e associações ligadas ou não à Igreja.



Publicado por catecumenado em 11:33 PM

Pré-catecumenado


O funcionamento do Centro Catecumenal estrutura-se em três fases. A primeira é o Pré-catecumenato. Trata-se do período em que se acolhem os adultos que pedem o Baptismo, Crisma e Comunhão e em que se preparam – por meio de encontros pessoais com o P. Leonel Oliveira – para a entrada em Catecumenado. Este período varia de acordo com as pessoas, as circunstâncias e a intensidade com que é vivido.



Publicado por catecumenado em 11:32 PM

P. Leonel Oliveira


Leonel Oliveira nasceu em Freamunde, a 9 de Maio de 1934. Filho de Ana Joaquina e Leonel Oliveira, foi o quarto e último filho do casal. Foi aquilo que frequentemente define como uma «criança feliz».

Com 13 anos foi estudar para o Colégio do Carmo, em Penafiel, e com 16 veio estudar para o Porto, para o Liceu Alexandre Herculano. Esse foi um tempo de desencontros e reencontros, que superou graças à «criança feliz» que foi, numa Infância que frequentemente evoca com um carinho e uma nitidez impressionantes.

Marcou-o profundamente uma ida a Fátima, com a família – teria 18 anos... Isso antecedeu a conversão interior que proporciona a entrada no Seminário da Diocese do Porto. Depois de dois anos no Seminário de Vilar, passou ao Seminário da Sé. Desse tempo, diz num desabafo emocionante:

“Desde o meu curso de Teologia que me sinto devorado pelo desejo de tudo saber, o que se passa, o que se pensa, o que se diz. Foi a Teologia que me despertou para o Mundo, e desde então abri todas as janelas que pude apesar de viver num pequeno país periférico e numa Igreja de trazer por casa, Igreja que está em Portugal e que nunca desprezei mas a que nunca me limitei, Igreja que amei com o maior amor que tenho para lhe dar, mas por quem nunca me deixei domesticar. Digo-o sem sombra de orgulho. Digo-o com todo o respeito que ela me merece e lhe tenho, tanto quanto ela é uma porção viva da única Igreja em que acredito: a Una e Santa, Católica e Apostólica. Podia e pode estar doente, decadente, estagnada, mas enquanto estiver viva é a presença próxima e íntima, tocável e concreta do Corpo de Cristo. Igreja que estás em Portugal, não suporto que digam mal de ti, venha de quem vier o insulto ou a zombaria, de Fernando Pessoa ou Saramago. O sarcasmo com que nesta pequena província da Europa a Igreja é perseguida, me fere desde a minha infância, desde as minhas primeiras leituras de Camilo ou Eça, grandes ledores de Renan, os nossos epígonos de Voltaire. Mas, voltando ao Seminário, pois sem ele não me consigo explicar, apesar do mal que me fez e do bem que me deu, tenho que dizer que foi ali que descobri a liberdade dos filhos de Deus e da qual depois nunca mais abdiquei por direito próprio, baptismal, crismal e eucarístico, e depois, indelevelmente presbiteral. O que sempre me valeu, apesar de qualquer coisa que depois aconteceu comigo e à minha volta, foi essa consciência da liberdade dos filhos de Deus e da nossa dignidade presbiteral tão maltratada, tão diminuída, tão reduzida...”

Foi ordenado presbítero no dia 3 de Agosto de 1958, pelo então Bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes, na Sé Catedral do Porto.

Durante seis meses esteve como coadjutor na Paróquia de Santo Ildefonso. Entretanto, o Administrador Apostólico, D. Florentino de Andrade e Silva, em Setembro de 1959, nomeou o P. Leonel coadjutor da Paróquia de Leça de Balio, com a missão específica de trabalhar pastoralmente a área do Padrão de Légua, com vista à criação aí de uma nova paróquia.

É impossível retractarmos aqui o que foram esses tempos: a intensidade, as pessoas, os sítios e as situações daquilo que o próprio P. Leonel diz ser a «pastoral de rua». As suas palavras permitem que imaginemos, de algum modo, o que então aconteceu:

“Nunca quis saber de outra obra que não fosse a obra da Palavra. Terei ainda alguns anos de vida, mas do primado pastoral da Palavra não abdico. Passei a vida a juntar pedras, pedras-vivas bem entendido. Escrevi montanhas de folhas que nunca coleccionei, pois sempre as quis espalhadas ao vento. Fiz milhares de reuniões, de casa em casa, de rua em rua, pastoral de rua. Construí barracos, muitos barracos, tendas de reunião. Duma só coisa quis saber entre eles, os homens meus irmãos: de Jesus Cristo. Por causa dele fiz muitos amigos e muitos inimigos, nunca por questões de gostos ou de cores, por aquela simpatia ou antipatia que costuma aproximar ou repelir as pessoas umas das outras. As questões que tive com as pessoas foram sempre teologais, mesmo quando as tive com quem nunca imaginei que as pudesse ter! Mas à Palavra dei toda a minha vida. E continuá-la-ei a dar. Não foi ela que criou o Céu e a Terra? Não é ela que recria o Homem, em Cristo e na Igreja? Todos os dias vejo os milagres que a Palavra faz, não por repetição, mas por actuação, acção da Palavra. Todo o meu trabalho paroquial começou e acabou assim. Quando me sento na Cadeira para ensinar, estou no meu lugar, e quando vou para o Altar sinto a Igreja a palpitar de Vida, seja a assembleia pequena ou grande, a dois ou a três, a mais ou a muitos, constituída por velhos ou por gente analfabeta. Nunca reservei as questões difíceis para gente capaz, ainda que tivesse que partir o Pão em pedaços muito pequenos e até de os mastigar primeiro na minha boca como as mães fazem com os filhos pequenos. Apesar da minha admiração por tantas bocas de ouro cujas leituras me deliciam nos meus nocturnos, só tenho um modelo para a minha forma de ensinar: Jesus, o modelo de todos os presbíteros.”

Com o 25 de Abril gerou-se na Igreja e, de resto, na sociedade portuguesa, um clima de suspeição. Foi nesse ambiente, em que na Comunidade do Padrão da Légua surgiam diversas tendências políticas, que se geraram alguns desacordos e conflitos, quer internos, quer externos... Não tardou o afastamento do P. Leonel desse lugar e dessa Comunidade onde trabalhou desde Setembro de 1959, primeiro como «paróquia experimental» e, a partir de Fevereiro de 1964, como Paróquia do Padrão da Légua. Corria o ano de 1975. Acerca de tudo isto, o P. Leonel diz o seguinte:

“Muita água correu sobre as pontes, muita tinta inutilizou montanhas de papel, assim como muito sangue escorreu das feridas ganhas numa guerra aonde quem vai dá e leva. Aprendi que, mesmo na Igreja, como escreveu o Padre Lebret, é preciso estar preparado para sofrer perseguição até da parte dos santos. Oh! Aprendi muito, tanto quanto ensinei. Só não aprendi a pegar no Fogo sem me queimar.”

Uma curta passagem por Ermesinde antecede a ida para a Sé – para o n.º 8 da Viela do Anjo –, já em 1976. Foi um tempo de profundas conversões pessoais: a «conversão ao trabalho» – trabalhou em carpintaria e marcenaria – e a «conversão aos pobres» – os pobres da sua infância... –, que ele encontrou num Bairro em ruínas. Como o próprio P. Leonel afirma: “Não basta amá-los...”

“Os Pobres que encontrei na minha meninice e cujos filhos foram os meus melhores amigos, duma educação primorosa, onde comi muitas vezes – não por necessidade, mas por gosto – o caldo dos Pobres em cozinhas térreas de uma limpeza extrema, à vista dos quartos e das camas arrumados com bom gosto. Quando leio os passos do profeta Elias, logo me vêm à mente e ao coração os Pobres da minha meninice”.

Durante essa «fase intermédia» da sua vida, o P. Leonel celebrou a Eucaristia e colaborou na Comunidade da Serra do Pilar, com o P. Arlindo Magalhães – tempo de que guarda também intensas memórias. Foi, apesar de tudo, um tempo de reencontro e de sossego – “São precisos anos para se esquecerem de nós...” Foi também um tempo de intensas lutas: lutas contra a droga, contra as ruínas que matam por dentro as pessoas que vivem no meio das ruínas... Nasceu assim o Grupo de Apoio ao Bairro da Sé e o Projecto Sé, que o P. Leonel introduz desta maneira:

“De simples moradores da Freguesia da Sé, que éramos, resignados e habituados ao Horrível, quase insensibilizados para as realidades gritantes ao pé da nossa porta, somos agora uma população consciente dos seus próprios problemas, dos direitos que nos assistem, e dos lugares onde de uma forma autorizada e reconhecida, constitucional, podemos ser voz dos que não têm voz.”

Os tempos mudavam... O então Bispo do Porto, D. Júlio Tavares Rebimbas, em 1996, nomeou o P. Leonel Reitor da Capela de Nossa Senhora da Boa Hora de Fradelos – na esquina das ruas de Sá da Bandeira e de Guedes Azevedo –, onde há já alguns anos celebrava a Eucaristia e onde, desde 1991, exercia as funções de capelão. Como o P. Leonel afirma muitas vezes: “Já tinha um pé na Cidade, passei a ter os dois...” Afirma ainda, a este propósito:

“Neste momento sou um simples capelão, e faço a experiência fascinante de exercer o meu ministério presbiteral num espaço não necessário, o que me exige um esforço teologal de aprofundamento do lugar de uma pequena capela no centro e nas encruzilhadas da vida da Cidade. É impossível em poucas linhas desenvolver desde o Acolhimento ao Encontro as maravilhas da Graça, e... como é visível, apesar da invisibilidade do fenómeno, a multidão que está a regressar à Igreja. Nas profundezas deste país estão a acontecer coisas muito importantes. Gostaria de falar da minha redescoberta do Confessionário, não como móvel, que há muito tempo deixei de usar. Mas como espaço vivo, não assoberbado, antes tranquilo, terapêutico. Não para dar absolvições a esmo, mas confessionário tal e qual, lugar da Confidência e do Conselho, um lugar tranquilo, sem pressas e sem bichas...”

Já em 1995, o mesmo D. Júlio, a pedido dos párocos da Cidade, tinha criado o Centro Catecumenal da Igreja do Porto e nomeado o P. Leonel Oliveira como responsável pela Iniciação de adultos em-Cristo e na-Igreja. Em 1996 o Centro passou a funcionar na Capela de Fradelos. Mais uma experiência verdadeiramente intraduzível, um tempo de profundas descobertas e redescobertas:

“A busca, como doutrina e como prática, da mais eficiente instituição que na Igreja fez Cristãos, foi escola de Santos, treinou os Mártires, formou os Doutores, deu à Igreja os seus mais famosos Bispos e, mais tarde, aos Monges, forneceu o quadro vivo da Reconversão e donde partiram, como matriz, e se desenvolveram, as escolas da Actividade Teologal. Catecumenado de que a Igreja nunca perdeu o rasto, ainda que lhe tenha perdido a forma sob a avalanche da conversão maciça de povos e nações inteiras. Catecumenado agora necessariamente exigido no crepúsculo da Cristandade e por força das disposições preliminares do Novo Ordo quanto à Iniciação Cristã dos adultos.”

Hoje, o P. Leonel Oliveira é uma das mais estimadas e admiradas personalidades da Igreja em Portugal. Ele, que nunca se deixou “enganar pela Vaidade que tudo corrompe, que tudo ameaça, que tudo põe em perigo”, é hoje bastante solicitado para conferências e comunicações, seja na Fundação de Serralves, na Universidade do Porto, na Universidade Católica Portuguesa ou em Fátima.

Importa ainda referir que colabora activamente na Voz Portucalense – semanário da Diocese do Porto –, com os Actos e Actas; e nos Cadernos do Centro Catecumenal.

Ficam as suas palavras: “Eis a Assembleia, eis a Comunidade, eis os muitos irmãos e irmãs que o Senhor nos deu, eis a razão de ser da nossa vida presbiteral, e até do nosso celibato. Eu sempre vivi em mesa comum com muita gente. Não sou monge. Sou presbítero da Igreja. Não foi para viver à parte uma vida a sós. Nunca andei de casa em casa, mas onde estive aí sempre fiz casa com muitos irmãos e irmãs em mesa comum, não em cama comum segundo os meus adversários. Não fiz convento, pois sou padre secular. Fiz a casa e pus a mesa e chamei os irmãos e irmãs que fiz, que o Senhor me deu. Casa que se pode desfazer aqui e fazer acolá, pois a gente move-se como a vida, e é livre para entrar e para sair, como para voltar. Mas a minha paixão são os que não têm ninguém e só me podem ter a mim, desde o Bairro da Sé à Capela de Fradelos. Foi assim que reencontrei os pobres que tanto me fascinaram na minha infância cristã, que tanto me honram ao sentar-se à minha mesa. Fraternidade responsável, pois nunca tive vocação para obras sociais.”

José Rui Teixeira



Publicado por catecumenado em 11:15 PM

Centro Catecumenal


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Os párocos da cidade do Porto, em resposta a uma procura crescente do Baptismo e da Comunhão por parte de adultos, decidiram, com a aprovação do então Bispo do Porto – D. Júlio Tavares Rebimbas –, criar o Catecumenato-em-forma para a Iniciação de adultos, o que aconteceu em 1995.

A pessoa encontrada para presidir à Equipa Catecumenal foi o Presbítero Leonel Oliveira e o local escolhido para o Centro Catecumenal da Igreja do Porto funcionar foi a Capela de Fradelos.



Publicado por catecumenado em 11:12 PM